Justificativa

   

     A escolha da criação do curso de heráldica familiar envolve os principais símbolos de identificação visual das famílias, com destaque a insígnia maior (brasão de armas) e beneficiará diretamente 399 municípios, correspondendo praticamente a totalidade do Estado do Paraná.

Indiretamente, atingirá também associações, clubes, agremiações, federações, empresas e apaixonados por esta ciência e arte, assim como a família, pois todos buscamos respostas sobre nosso passado. Assim, a heráldica tem como desdobramentos, na identificação visual, sejam eles por suas espécies, eclesiástico, militar, familiar, empresarial, os símbolos de uma nobreza autárquica ou não.

Os impactos nos municípios na identidade visual pública do Brasil são diretos, destacando em média, 5.800 artistas, 5.800 heraldistas, que num tempo passado, estudaram e desenharam cada brasão e formaram então, a cultura heráldica no Brasil. Olhando, individualmente, não se pode medir globalmente este impacto, mas unindo todos num único estudo, podemos até observar a “cara do Estado”, pois cada símbolo, carregado de significados de sua cultura local, nos mostra o caminho que o Brasil vem percorrendo no tempo entendendo que cada município possui uma insígnia própria.

Com o passar dos anos, o brasão de armas familiar passou a tornar-se apenas um suvenir e muitos municípios deixaram de atualizar seus brasões, por falta de conhecimento nesta ciência que até então é baseada no estrangeirismo, e o ensino será um apoio para as universidades e escolas, motivando as pessoas a manter seus brasões de armas de sua família surgida do casamento atualizados, comunicando-se com seu povo através da cultura heráldica, colaborando com o empresariado em suas marcas, unindo as famílias pelo seu passado genealógico.

Olhando numa perspectiva futura, o campo de ação da heráldica familiar é muito amplo, pois estima-se, que no Brasil, existem em média, mais de 2 bilhões de símbolos heráldicos clássicos ou modernos, incorporando subsidiariamente a vexilologia, nobiliarquia, genealogia e outras ciências auxiliares.

A criação de palestras direcionadas para cada município, criará um “ponto de referência”, do que era antes, e do que será doravante, que até então ficou relegado ao estrangeirismo que vem ditando a falta de normas heráldicas brasileiras. Nota-se que após cada curso existe uma transformação cultural muito intensa, pois o patriotismo da família é aflorada ao máximo quando se conhece estes assuntos. Espera-se a adesão de muitos simpatizantes.

Pretende-se levar as palestras a maior quantidade possível de pessoas e cada curso será mais prático que teórico.

A Proposta está baseada e configurada para atender a Lei nº 8.313/91 nos seus artigos 1º e 3º pois acredito ser de cunho totalmente cultural conforme as seguintes explicações:

Primeiro porque a criação do curso de heráldica familiar é uma forma de manifestação da cultura que está segmentada nesta proposta em duas identidades: Patrimônio Imaterial e Patrimônio Material iniciada pelo curso de heráldica municipal e pelo site informativo heráldico digital.

O Patrimônio Cultural Imaterial Heráldico são os saberes, celebrações, formas de expressão e lugares que grupos sociais reconhecem como referências culturais organizadoras de sua identidade, por transmissão de tradições entre gerações, com especial destaque aos bens culturais registrados na forma do art. 1º do Decreto nº 3.551, de 4 de agosto de 2000. 

Na proposta também é contemplado a conversão deste patrimônio imaterial em Patrimônio Cultural Material (a construção física dos brasões nas oficinas de heráldica), pois os brasões familiares são considerados um conjunto de bens culturais que podem ser classificados como patrimônio histórico e artístico nacional nos termos do Decreto-lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, quando podem ser compreendidos como bens móveis, representativos da diversidade cultural brasileira em todo o período histórico, cuja conservação e proteção são de interesse público, quer sua vinculação a fatos memoráveis da História do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.

Também, a Lei nº 8.313/91 no artigo 1º no item VI e VIII entendemos que estimulando a produção e criação destes bens culturais de valor universal, formadores e informadores de conhecimento, cultura e memória de cada família, município e estado, podemos ensinar, demonstrar, o valor cultural que existe no Brasil através das descrições heráldicas em cada símbolo e as conquistas de cada povo e preservar os bens materiais e imateriais do patrimônio cultural e histórico brasileiro no segmento heráldico que atualmente encontram-se dispersos. Já nos itens III e IV do mesmo artigo, entendemos que a função do curso heráldico é justamente manter viva a heráldica genuína do Brasil e ao mesmo tempo valorizar as expressões heráldicas culturais regionais, apoiando e difundindo as manifestações culturais heráldicas e seus devidos criadores e enquanto ele não exista (museu), os cursos são mecanismos de manutenção do conhecimento em arte.

No artigo 3º item III (a) da mesma lei - entendemos que a construção, formação, organização, manutenção, ampliação e outras organizações culturais temáticas como a Heráldica Brasileira e seu cunho artístico, bem como de suas coleções e acervos, são peças que expõem as manifestações de nosso povo, pois a cultura é parte do que somos, nela está o que regula nossa convivência, nossa comunicação em sociedade e o símbolo com seus códigos heráldicos existem em cada brasão e na vida de cada pessoa. A cultura heráldica possui tanto aspectos tangíveis – objetos ou símbolos que fazem parte de seu contexto – quanto intangíveis – ideias, normas que regulam seu comportamento o que chamamos de códigos heráldicos. Nos brasões podemos verificar formas de religiosidade, a colonização das imigrações locais, o cancioneiro local e muitas outras expressões todas compostas dentro de um brasão estabelecendo os valores e normas, assim como aqueles que preferem manifestar a lógica do progresso científico e avanços econômicos dentro do município.

A diversidade cultural é um fato em nossa realidade globalizada brasileira, onde o contato entre o que consideramos familiar e o que consideramos estranho é comum. Ideias diferentes, comportamento, contato com línguas estrangeiras ou com a culinária de outras culturas tornou-se tão corriqueiro em nosso dia a dia que mal paramos para pensar no impacto que sofremos diariamente, seja na adoção de expressões de línguas estrangeiras ou na incorporação de alimentos exóticos em nossa rotina alimentar.

Isso acontece também com os brasões heráldicos quando podemos constatar visualmente as mais diferentes manifestações de culturas estrangeiras em harmonia com a brasileira.

Os brasões heráldicos demonstram que a cultura não é estática, ela está em constante mudança de acordo com os acontecimentos vividos por seus integrantes e refletidos em cada brasão. Valores que possuíam força no passado se enfraquecem no novo contexto vivido pelas novas gerações, a depender das novas necessidades que surgem, já que o mundo social também não é estático.

O contato com culturas diferentes também modifica alguns aspectos de nossa cultura. O processo de aculturação, onde uma cultura absorve ou adota certos aspectos de outra a partir do seu convívio, é comum em nossa realidade globalizada, onde temos contato quase perpétuo com culturas de todas as formas e lugares possíveis. Sendo assim, ao observar cada brasão, podemos entender a evolução dos povos pois a carga de peças heráldicas que compõem nos dão ideias do que é considerado importante pelos 5.760 municípios brasileiros quando notamos expressões artísticas de cunho francês, inglês, português, espanhol e muitas outras construções brasonárias derivadas das colonizações em que o Brasil fez parte. Agora imagine somando-se a isso, os de família.

Possibilitar a construção do acervo material e imaterial (tema desta proposta).

Por que foi escolhido a Heráldica Familiar como símbolo cultural primário?

"se uma família pode definir-se como identitária, relacional e histórica, uma família que não possa definir-se, nem como relacional, nem como histórica, definirá uma não-família", pois toda família renova-se em média a cada 100 anos, mas continua sendo família...

   Com efeito, os países, os estados, os municípios e nelas às famílias, na gênese da sua definição individual, obedecem a critérios históricos, relacionais e identitários. Em primeiro lugar é na historicidade e tradição que se fundamenta a sua cultura. Por outro lado, os países estão imersos na comunidade internacional, os estados imersos dentro das fronteiras do país e os municípios imersos nos estados, que partilham conhecimentos e que interagem entre si, além de outros relacionamentos globais que são inerentes entre eles. Enfim, o local onde se nasce ou se vive tem como que um código genético, com o qual o cidadão se identifica e que o liga às suas raízes geográficas e culturais. É a família.

Os estados, as cidades ou as autarquias designam circunscrições territoriais, administrativas e políticas organizadas, com uma identidade própria que se expressa no espaço social, e que abarca em si uma forte carga histórica e de relacionamento. Os símbolos autárquicos, que condensam as características da singularidade sejam eles dos municípios, estados ou na esfera federal, constituem um veículo de transmissão dessa mesma identidade, sendo, nesse pressuposto, uma importante referência na formação da imagem que se faz do local onde se vive. Ao se observar os brasões num macro contexto podemos ver "a cara do Brasil" pois não existe um brasão igual ao outro.

As autarquias locais prosseguem aos fins de interesse de sua população, e neste sentido, os símbolos institucionais são também suportes comunicativos e educacionais, já que concentram na expressão visual a história, o patrimônio, a geografia e até a economia, embutindo seu macro aspecto cultural. Estando em causa a representação da comunidade, o ato de comunicar através de um símbolo envolve a troca de informação e a materialização de sentimentos. Deste modo, a identidade visual de um município, por exemplo, é determinante na representação de um território, deve ser capaz de fomentar o sentimento de pertença para quem o ocupa, estabelecendo uma reciprocidade entre imagem municipal e identidade cultural de seu povo. O Brasão de Armas da família, é apenas uma herança simbólica e lembrança dos antepassados. Não tem valor prático no dia a dia, mas como um sinal genético gráfico, as pessoas procuparam manter vivas.

Sendo assim, o Brasão de Armas da sua família é o mais próximo da atual família, pois é ele que temos de mais concreto e vivo principalmente quando existem redes mundiais de familias conectadas pelo escudo que será apresentada na palestra.