Cursos Heráldicos e afins

PRONAC: 172224

Segmento: Ações de formação e capacitação

Área: Humanidades

Mecanismo:Mecenato

Enquadramento:Artigo 26

Município/UF:Curitiba, PR

Pretende-se realizar uma turnê anual em 348 municípios diversificados do Estado do Paraná de um curso de cultura heráldica pública municipal, cujo objetivo principal é de esclarecer para que serve e como utilizar nas rotinas públicas municipais quando relaciona-se à cultura do município e sua identificação visual, assim como motivar a população local a cultura heráldica através de oficinas e exposição de brasões. Será realizado em cada cidade 4 eventos: 1 palestra para adultos (funcionários públicos e privados), 1 palestra para jovens das escolas; 1 exposição de brasões para a população local e 1 Oficina de Brasões para alunos das escolas. As palestras são baseadas no livro do palestrante: Heráldica Brasileira.

Objetivos gerais:

Aplicar conhecimentos de heráldica pública municipal para jovens e adultos, afim de sensibilizar para a cultura heráldica cívica, histórica e artística, relacionado a identificação gráfica visual do município e suas relações entre governo e sociedade em geral.

Objetivos específicos:

·         Realizar 348 cursos de princípios de heráldica, durante o ano, sobre a “Insígnia da Cidade” para até 300 alunos das escolas da periferia das 48 cidades definidas, com entrada gratuita;

·         Realizar 348 oficinas de montagem de brasões heráldicos, durante o ano, para até 300 alunos das escolas da periferia das 48 cidades definidas, com entrada gratuita;

·         Realizar 348 palestras sobre a heráldica pública municipal, durante o ano, para até 150 adultos (professores e demais interessados) das 48 cidades definidas.

·         Realizar 348 exposições de brasões dos municípios do estado do Paraná, do acervo pessoal do palestrante, durante 2 dias, nas 48 cidades definidas, com entrada franca.

Resultado final: Formar um núcleo de interessados (jovens e adultos) à prática da heráldica municipalista, como escudeiros, afim de apoio às atividades culturais do município e integrá-los a uma rede nacional.

        

A Proposta está baseada e configurada para atender a Lei nº 8.313/91 nos seus artigos 1º e 3º pois acredito ser de cunho totalmente cultural conforme as seguintes explicações:

Primeiro porque a criação do curso de heráldica é uma forma de manifestação da cultura que está segmentada nesta proposta em duas identidades: Patrimônio Imaterial e Patrimônio Material iniciada pelo curso de heráldica municipal e pelo site informativo heráldico digital.

O Patrimônio Cultural Imaterial Heráldico são os saberes, celebrações, formas de expressão e lugares que grupos sociais reconhecem como referências culturais organizadoras de sua identidade, por transmissão de tradições entre gerações, com especial destaque aos bens culturais registrados na forma do art. 1º do Decreto nº 3.551, de 4 de agosto de 2000. Nesse sentido, a proposta corrobora paralelamente, também, com a criação de um site virtual das palestras municipais  pois são manifestações artísticas locais, símbolos da cultura de um município, reflexo das manifestações locais de um povo.

Na proposta também é contemplado a conversão deste patrimônio imaterial em Patrimônio Cultural Material (a construção física dos brasões nas oficinas de heráldica), pois os brasões autárquicos são considerados um conjunto de bens culturais que podem ser classificados como patrimônio histórico e artístico nacional nos termos do Decreto-lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, quando podem ser compreendidos como bens móveis, representativos da diversidade cultural brasileira em todo o período histórico, cuja conservação e proteção são de interesse público, quer sua vinculação a fatos memoráveis da História do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.

Também, a Lei nº 8.313/91 no artigo 1º no item VI e VIII entendemos que estimulando a produção e criação destes bens culturais de valor universal, formadores e informadores de conhecimento, cultura e memória de cada município e estado, podemos ensinar, demonstrar, o valor cultural que existe no Brasil através das descrições heráldicas em cada símbolo e as conquistas de cada povo e preservar os bens materiais e imateriais do patrimônio cultural e histórico brasileiro no segmento heráldico que atualmente encontram-se dispersos. Já nos itens III e IV do mesmo artigo, entendemos que a função do curso heráldico é justamente manter viva a heráldica genuína do Brasil e ao mesmo tempo valorizar as expressões heráldicas culturais regionais, apoiando e difundindo as manifestações culturais heráldicas e seus devidos criadores e enquanto ele não exista (museu), os cursos são mecanismos de manutenção do conhecimento em arte.

No artigo 3º item III (a) da mesma lei - entendemos que a construção, formação, organização, manutenção, ampliação e outras organizações culturais temáticas como a Heráldica Brasileira e seu cunho artístico, bem como de suas coleções e acervos, são peças que expõem as manifestações de nosso povo, pois a cultura é parte do que somos, nela está o que regula nossa convivência, nossa comunicação em sociedade e o símbolo com seus códigos heráldicos existem em cada brasão e na vida de cada pessoa. A cultura heráldica possui tanto aspectos tangíveis – objetos ou símbolos que fazem parte de seu contexto – quanto intangíveis – ideias, normas que regulam seu comportamento o que chamamos de códigos heráldicos. Nos brasões podemos verificar formas de religiosidade, a colonização das imigrações locais, o cancioneiro local e muitas outras expressões todas compostas dentro de um brasão estabelecendo os valores e normas, assim como aqueles que preferem manifestar a lógica do progresso científico e avanços econômicos dentro do município.

A diversidade cultural é um fato em nossa realidade globalizada brasileira, onde o contato entre o que consideramos familiar e o que consideramos estranho é comum. Ideias diferentes, comportamento, contato com línguas estrangeiras ou com a culinária de outras culturas tornou-se tão corriqueiro em nosso dia a dia que mal paramos para pensar no impacto que sofremos diariamente, seja na adoção de expressões de línguas estrangeiras ou na incorporação de alimentos exóticos em nossa rotina alimentar. Isso acontece também com os brasões heráldicos quando podemos constatar visualmente as mais diferentes manifestações de culturas estrangeiras em harmonia com a brasileira.

Os brasões heráldicos demonstram que a cultura não é estática, ela está em constante mudança de acordo com os acontecimentos vividos por seus integrantes e refletidos em cada brasão. Valores que possuíam força no passado se enfraquecem no novo contexto vivido pelas novas gerações, a depender das novas necessidades que surgem, já que o mundo social também não é estático. 

O contato com culturas diferentes também modifica alguns aspectos de nossa cultura. O processo de aculturação, onde uma cultura absorve ou adota certos aspectos de outra a partir do seu convívio, é comum em nossa realidade globalizada, onde temos contato quase perpétuo com culturas de todas as formas e lugares possíveis. Sendo assim, ao observar cada brasão, podemos entender a evolução dos povos pois a carga de peças heráldicas que compõem nos dão ideias do que é considerado importante pelos 5.760 municípios brasileiros quando notamos expressões artísticas de cunho francês, inglês, português, espanhol e muitas outras construções brasonárias derivadas das colonizações em que o Brasil fez parte.

Possibilitar a construção do acervo material e imaterial (tema desta proposta).
Por que foi escolhido a Heráldica Pública como símbolo cultural primário?

O escritor Marc Augé cita que “se um lugar pode definir-se como identitário, relacional e histórico, um espaço que não possa definir-se, nem como relacional, nem como histórico, definirá um não-lugar”.

Com efeito, os países, os estados e os municípios, na gênese da sua definição individual, obedecem a critérios históricos, relacionais e identitários. Em primeiro lugar é na historicidade e tradição que se fundamenta a sua cultura. Por outro lado, os países estão imersos na comunidade internacional, os estados imersos dentro das fronteiras do país e os municípios imersos nos estados, que partilham conhecimentos e que interagem entre si, além de outros relacionamentos globais que são inerentes entre eles. Enfim, o local onde se nasce ou se vive tem como que um código genético, com o qual o cidadão se identifica e que o liga às suas raízes geográficas e culturais.

Os estados, as cidades ou as autarquias designam circunscrições territoriais, administrativas e políticas organizadas, com uma identidade própria que se expressa no espaço social, e que abarca em si uma forte carga histórica e de relacionamento. Os símbolos autárquicos, que condensam as características da singularidade sejam eles dos municípios, estados ou na esfera federal, constituem um veículo de transmissão dessa mesma identidade, sendo, nesse pressuposto, uma importante referência na formação da imagem que se faz do local onde se vive. Ao se observar os brasões num macro contexto podemos ver "a cara do Brasil" pois não existe um brasão igual ao outro.

As autarquias locais prosseguem aos fins de interesse de sua população, e neste sentido, os símbolos institucionais são também suportes comunicativos e educacionais, já que concentram na expressão visual a história, o patrimônio, a geografia e até a economia, embutindo seu macro aspecto cultural. Estando em causa a representação da comunidade, o ato de comunicar através de um símbolo envolve a troca de informação e a materialização de sentimentos. Deste modo, a identidade visual de um município, por exemplo, é determinante na representação de um território, deve ser capaz de fomentar o sentimento de pertença para quem o ocupa, estabelecendo uma reciprocidade entre imagem municipal e identidade cultural de seu povo.